Crise nos abrigos: cães de focinho achatado podem ser sacrificados na Europa
5/12/2026

Crise nos abrigos: cães de focinho achatado podem ser sacrificados na Europa

Custos elevados de cirurgias e problemas genéticos colocam cães braquicefálicos no centro de um dilema ético em abrigos do Reino Unido O sistema de proteção animal do Reino Unido e de outros países da Europa enfrenta um impasse considerado sem precedentes por especialistas e protetores. Abrigos têm alertado para a possibilidade de eutanásia em massa de cães braquicefálicos — como Pug e Buldogue Francês — devido aos altos custos das cirurgias necessárias para corrigir problemas respiratórios graves causados pela própria genética dessas raças. A crise é apontada como consequência direta de décadas de seleção genética voltada principalmente à estética, priorizando focinhos cada vez mais achatados, característica que acabou se transformando em uma deformidade capaz de comprometer seriamente a qualidade de vida dos animais. O crescimento da popularidade dos chamados cães de “cara achatada” levou o problema a um ponto crítico. Segundo relatos de gestores de abrigos britânicos, o valor médio para procedimentos corretivos — como cirurgias nas narinas estenóticas e no palato mole alongado — pode ultrapassar £ 3 mil, o equivalente a cerca de R$ 20 mil por animal. Sem essas intervenções, muitos cães vivem em constante dificuldade respiratória, quadro que se agrava ainda mais em períodos de calor intenso. A popularização dessas raças, impulsionada por influenciadores digitais e celebridades, também fomentou o crescimento de criadores clandestinos, que passaram a priorizar características estéticas extremas em vez da saúde dos animais. O resultado, segundo especialistas, é uma geração de cães com crânios comprimidos e vias respiratórias sem espaço adequado para os tecidos moles. Veterinários explicam que a estrutura braquicefálica compromete não apenas a respiração, mas também a capacidade de regulação térmica do corpo. “Esses cães não conseguem ofegar de forma eficiente para resfriar o corpo. Em dias quentes, eles estão em risco constante de morte por hipertermia”, afirma um veterinário especializado em cirurgias reconstrutivas. O cenário tem colocado os abrigos diante de decisões difíceis. “Estamos sendo forçados a tomar decisões impossíveis. É justo gastar todo o orçamento de um abrigo em um único cão enquanto centenas de outros saudáveis ficam sem comida?”, diz uma representante de abrigo de animais no Reino Unido. A situação se torna ainda mais preocupante em meio à crise do custo de vida enfrentada em diversos países europeus. Muitos tutores que adquiriram cães dessas raças durante a pandemia agora enfrentam dificuldades financeiras e não conseguem arcar com tratamentos veterinários especializados e planos de saúde voltados a animais de alto risco. Esse descompasso entre o desejo estético e a responsabilidade financeira tem aumentado o número de cães com problemas crônicos abandonados em abrigos que já operam acima da capacidade. No Brasil, embora a situação ainda esteja distante do nível de saturação registrado na Europa, médicos-veterinários alertam para o crescimento dos casos de problemas respiratórios em Pugs e Buldogues. Especialistas apontam que o debate internacional deve servir de alerta para consumidores brasileiros buscarem criadores responsáveis, que priorizem saúde, funcionalidade física e qualidade de vida dos animais, em vez de padrões estéticos extremos.
Jornal Pet Mania
Publicado por
Jornal Pet Mania
O PawsBy não se responsabiliza pelo conteúdo desta publicação — o autor identificado é o único responsável por ele.