Golpe cruel: criminosos usam IA para extorquir tutores de pets desaparecidos em MS
Estelionatários aproveitam o desespero de famílias em busca de animais perdidos, criam imagens falsas com inteligência artificial e exigem pagamentos para suposta devolução
Criminosos estão utilizando inteligência artificial para produzir imagens falsas de animais de estimação e aplicar golpes em tutores de pets desaparecidos. A estratégia consiste em entrar em contato logo após a divulgação das fotos do animal nas redes sociais, afirmar que encontraram o pet e exigir dinheiro para devolvê-lo.
A tutora Laís Fernanda Rodrigues Deleon passou por essa situação após publicar imagens da cadela que havia fugido de casa. Pouco tempo depois da divulgação, ela começou a receber mensagens via WhatsApp de pessoas dizendo estar com o animal.
Em seguida, os golpistas enviaram uma foto da cachorrinha dentro de um carro e alegaram que estavam levando o animal para outra cidade.
A desconfiança começou quando o suposto responsável solicitou um pagamento via Pix antes de entregar a cadela. Laís conta que havia oferecido uma recompensa, mas a pessoa afirmou que não queria o valor prometido e precisava apenas do dinheiro referente ao combustível.
Segundo a tutora, mesmo diante da proposta de realizar o pagamento somente após a devolução do animal, o contato insistia em receber a quantia antecipadamente. Foi então que ela pediu um vídeo da cadela como prova de que o animal realmente estava com eles, mas o envio foi recusado sob a justificativa de que o celular estava sem acesso à internet por estarem na estrada.
Ela relata que, a partir desse momento, o tom da conversa mudou e passou a ser marcado por pressão psicológica e questionamentos sobre falta de confiança, o que reforçou a suspeita de tentativa de extorsão.
A cadela acabou sendo encontrada no mesmo dia por vizinhos.
De acordo com especialistas, o golpe segue um padrão semelhante em diferentes casos. Os criminosos monitoram publicações de desaparecimento nas redes sociais, entram rapidamente em contato com os tutores, afirmam estar com o animal e solicitam dinheiro alegando despesas com combustível, atendimento veterinário ou outros custos. Em algumas situações, chegam até mesmo a fingir serem policiais.
O advogado Raphael Chaia afirma que o uso de inteligência artificial nesse tipo de crime tem se tornado cada vez mais frequente e alerta sobre os cuidados necessários antes de qualquer pagamento.
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