Setor pet projeta R$ 81 bilhões e avanço de 4,35% em 2026
O mercado pet brasileiro deve faturar R$ 81 bilhões em 2026, alta projetada de 4,35% sobre os R$ 77,96 bilhões registrados em 2025. O resultado mantém o Brasil entre os principais mercados globais e amplia a escala de negócios para indústria, varejo, serviços veterinários e distribuição.
Os dados fazem parte do estudo “Faturamento e População Pet no Mundo – 2026”, elaborado pela Abempet (Associação Brasileira das Empresas do Setor de Animais de Estimação). A projeção considera o desempenho registrado no primeiro semestre deste ano.
Pet food concentra mais da metade do faturamento
O pet food permanece como principal fonte de receita do setor. A categoria deve movimentar R$ 42,9 bilhões até o final do ano, equivalente a 52,8% do faturamento total projetado para 2026.
Os segmentos de venda de animais e saúde animal também apresentam crescimento com uma alta de 4,45% (R$ 8,9 milhões) e 5,11% (R$ 8,6 milhões) respectivamente.
Na distribuição por canais, os pet shops de pequeno e médio porte respondem por 48% do faturamento, aproximadamente R$ 39 bilhões. Clínicas e hospitais veterinários aparecem na sequência, com previsão de R$ 14 bilhões, ou 17,3% do total.
Exportações avançam 12% no primeiro semestre
O mercado brasileiro também ampliou sua presença no comércio exterior. As exportações do setor cresceram 12% no primeiro semestre de 2026, com forte concentração em produtos de alimentação animal.
Do total exportado, 89% correspondem a pet food, enquanto pet care representa 9% e animais vivos, 1,5%. Áustria, Estados Unidos e China concentram cerca de 70% do valor exportado pelo setor.
Inflação e tributação pressionam margens
Apesar da expansão projetada, o ritmo de crescimento do setor desacelerou nos últimos anos. A alta de 26,4% em 2021 caiu para 3,4% no segundo ano, segundo os dados apresentados pela Abempet.
“O relatório acende um sinal de alerta. O setor pet brasileiro continua resiliente e cresce de forma consistente, mas opera abaixo do seu potencial. A desaceleração observada no biênio 2024/2025 não é apenas reflexo do cenário econômico global: no Brasil. Ela é agravada por uma carga tributária que chega a 51%, além de juros elevados e custos de produção pressionados pela inflação e pelo câmbio”, explica Caio Villela, CEO da Abempet.
Entre os fatores que pressionam o desempenho das empresas, a associação aponta inflação, câmbio e carga tributária entre os principais. No pet food, a valorização do dólar afeta os custos de ingredientes utilizados na produção, justamente no segmento que concentra a maior parcela da receita.
A tributação de 51%, dependendo do estado, é bem alta quando comparada com outras economias globais, com as taxas de 8% a 10% nos Estados Unidos e de 15% a 18% na União Europeia. “O ambiente tributário impede que esse potencial se converta em mais investimentos, maior consumo e expansão produtiva. O desafio hoje não é provar que o setor é forte, mas criar condições para que ele cresça na dimensão que o Brasil comporta”, completa.
Brasil tem 166,8 milhões de animais de companhia
A população pet brasileira chegou a 166,8 milhões de animais, crescimento de 2,33% sobre 2024, segundo o estudo. O país ocupa a terceira posição mundial, atrás da China, que possui mais de 438 milhões de animais.
Os cães formam o maior grupo, com 62,5 milhões, seguidos por aves ornamentais (44,3 milhões), gatos (33,3 milhões), peixes (23,6 milhões) e répteis e pequenos mamíferos (3,1 milhões).
Os gatos apresentam uma expansão acima da média mundial. Enquanto a população felina global cresceu 2,3% em 2024, o Brasil registrou avanço de 4,5%.
Regionalmente, o Sudeste concentra 48,2% da população pet brasileira, seguido por Nordeste (23%), Sul (17,8%), Centro-Oeste (7,2%) e Norte (3,8%).
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