Nova tarifa da UE pressiona e-commerce de produtos pet de baixo valor
9/2/2026

Nova tarifa da UE pressiona e-commerce de produtos pet de baixo valor

A nova tarifa de € 3 (R$ 18) sobre remessas de baixo valor na União Europeia (UE) tende a afetar principalmente o comércio direto de petiscos, suplementos e outros produtos leves importados de países terceiros. A cobrança aumenta a pressão sobre margens, preços e logística e pode estimular a manutenção de estoques dentro do bloco. A medida incide sobre remessas inferiores a € 150 (R$ 892), substituindo a isenção anterior. Em 2025, 5,8 bilhões de pacotes de baixo valor entraram na UE, alta de 26% em relação ao ano anterior, impulsionada em parte por plataformas como Temu e Shein. A avaliação é da Pet Food Industry. Produtos leves são os mais expostos Petiscos, suplementos e outros itens de menor peso e valor estão entre os produtos mais suscetíveis ao impacto. A cobrança fixa pode reduzir a vantagem de preço de mercadorias baratas cujo modelo depende do envio direto ao consumidor. Segundo Nandini Roy Choudhury, analista sênior da Future Market Insights, o efeito tende a ser menor em produtos de maior valor, premium ou diferenciados, nos quais o valor da taxa representa uma parcela menor do preço final. A analista estima que as importações diretas de baixo valor correspondam a uma parcela de um dígito baixo do mercado de alimentos para pets da UE. A maior parte do setor é abastecida por fabricantes instalados no bloco, multinacionais com produção europeia, supermercados e redes especializadas. Indústria de alimentos deve sentir pouco impacto Para a indústria tradicional de alimentos para pets, o efeito direto tende a ser limitado. A FEDIAF, federação europeia do setor, afirma que a maior parte dos produtos consumidos na região é fabricada na UE ou importada sob as exigências regulatórias do bloco. Alimentos para animais já estão sujeitos a controles sanitários, certificações e inspeções de fronteira. Por isso, a entidade avalia que a tarifa terá impacto limitado sobre o mercado de alimentos para pets como um todo. A CLECAT, associação europeia ligada a transporte, logística e serviços alfandegários, também aponta que o crescimento das remessas de baixo valor ampliou os desafios para autoridades e operadores europeus. Estoque local pode ganhar força A principal mudança tende a ocorrer na estrutura logística dos vendedores externos. Empresas que dependem de envios individuais podem precisar consolidar pedidos, elevar o valor mínimo das compras ou aproximar os estoques do consumidor. Entre as alternativas estão a implementação de armazéns e centros de distribuição na EU, abastecimento de marketplaces europeus por importadores locais e importação em lotes para distribuição dentro do bloco. Para grandes marketplaces e vendedores externos, manter estoque na Europa pode se tornar mais competitivo do que enviar pequenos pacotes individualmente. Dietas veterinárias têm menor exposição O impacto também varia conforme a categoria. Alimentos secos e úmidos tradicionais, alimentos frescos ou congelados e dietas veterinárias tendem a sofrer menos com a cobrança, segundo a Future Market Insights. Esses segmentos dependem de cadeias logísticas estruturadas, têm maior exposição às exigências regulatórias e, em muitos casos, já contam com distribuição estabelecida na Europa.
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