Marca própria muda o jogo no varejo pet europeu
As marcas próprias deixaram de ser uma alternativa restrita às categorias de menor valor agregado para ocupar posição central na estratégia das maiores redes de varejo pet do mundo. O exemplo mais emblemático vem da Europa. A alemã Fressnapf | Maxi Zoo, líder do segmento no continente, revelou que seu portfólio de marcas exclusivas já representa aproximadamente 50% do faturamento, que totalizou € 3,7 bilhões (R$ 22,05 bi) no ano passado.
A participação revela uma mudança profunda na lógica competitiva do setor. Em vez de atuar apenas como canal de distribuição para as grandes fabricantes, as redes passam a desenvolver produtos próprios, controlar melhor sua estratégia comercial e construir diferenciação em um mercado cada vez mais pressionado por margens estreitas e consumidores mais exigentes.
“Continuaremos investindo no desenvolvimento do nosso modelo omnichannel, na infraestrutura logística e em um portfólio cada vez mais qualificado. A expansão das nossas marcas exclusivas permanece como um importante vetor de crescimento e uma vantagem competitiva significativa”, declarou o CEO Matt Simister, ao apresentar os resultados da companhia, que administra 2.888 lojas em 15 países da Europa.
Mais do que elevar a rentabilidade, a estratégia permite reduzir a comparação direta de preços, fortalecer a identidade da rede e estreitar o relacionamento com os consumidores, criando um ciclo de fidelização que dificilmente pode ser replicado por concorrentes.
Brasil ainda engatinha
No mercado brasileiro, a realidade ainda está distante do patamar europeu. Embora as principais redes tenham ampliado investimentos em linhas exclusivas nos últimos anos, a participação das marcas próprias permanece relativamente modesta, concentrada principalmente em acessórios, higiene, tapetes higiênicos, snacks e algumas categorias de alimentação.
“A grande fragmentação no mercado pet, com poucas grandes redes e muitas lojas pequenas, impede uma evolução mais robusta.Um salto relevante das marcas próprias dependerá da união dos estabelecimentos independentes em redes associativas. A marca própria precisa de escala, de volume e de massa crítica’’, reforça Neide Montesano, presidente da Associação Brasileira de Marcas Próprias e Terceirização (Abmapro).
Fabricante na contramão e com 30 contratos de private label
A Absortec, fabricante de tapetes higiênicos fundada em 2019, vem sendo uma exceção à regra. Começou a operar com um plano de desenvolver suas próprias linhas, mas rapidamente passou a atender também uma demanda crescente por terceirização e produtos exclusivos para varejistas e distribuidores.
Hoje a empresa fabrica marcas próprias para redes como Cobasi e PetCamp, e outros clientes regionais no estado de São Paulo, com uma carteira de 20 a 30 contratos em private label.
“Em itens como os que nós fabricamos, o volume é grande e exige espaço em gôndola. Outro fator decisivo para o sucesso está no investimento mínimo necessário para viabilizar a produção. O lojista precisa comprar um grande lote de embalagens para iniciar o projeto. Se a venda não acompanhar o ritmo, ele passa a carregar um estoque parado”, alerta o diretor comercial Renato Branco, em entrevista concedida em fevereiro ao Panorama Pet&Vet.
Especializada na produção de acessórios e produtos de higiene animal, a PetFit atua com private label desde sua fundação, em 2016. “Começamos com acessórios e tapetes higiênicos e, ao mesmo tempo, já desenvolvendo produtos exclusivos para grandes clientes. Hoje, a marca própria representa cerca de 35% da nossa operação”, pontua o diretor geral Caio Perez.
A indústria fornece artigos para redes nacionais e internacionais, entre as quais as varejistas norte-americanas Walmart e Costco, nos Estados Unidos. O portfólio inclui tapetes higiênicos, granulados, toalhas umedecidas e alguns acessórios, como camas, comedouros, coleiras e brinquedos, que figuram entre os cerca de 450 SKUs do catálogo da categoria.
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