Um em cada dez tutores já troca o veterinário pela inteligência artificial
7/14/2026

Um em cada dez tutores já troca o veterinário pela inteligência artificial

Um em cada dez tutores de animais de estimação já recorre regularmente a ferramentas de inteligência artificial (IA) para obter orientações sobre saúde e comportamento dos pets. O dado faz parte do Animal Kindness Index, relatório publicado pela Royal Society for the Prevention of Cruelty to Animals (RSPCA), que levou a organização britânica a emitir um alerta sobre os riscos dessa prática para o bem-estar animal. A principal preocupação da entidade é que essa tendência afaste os tutores das consultas veterinárias. Segundo a RSPCA, a ausência de um diagnóstico realizado por um profissional pode comprometer diretamente a saúde dos animais. Custos veterinários influenciam decisão A pesquisa ouviu quase 7 mil moradores da Inglaterra, Escócia e Irlanda do Norte. O levantamento indica que os custos veterinários estão entre os principais fatores que impulsionam o uso da IA. Mais da metade dos entrevistados (56%) afirmou ter dificuldades para arcar com despesas relacionadas à saúde animal. De acordo com o estudo, 10% dos tutores utilizam ferramentas de IA como ChatGPT, Gemini, Claude e Perplexity. Ainda assim, 64% dos respondentes consideram o veterinário como principal fonte de informação sobre a saúde dos pets. “É preocupante ver uma porcentagem tão significativa de tutores recorrer a fontes de IA para obter informações e orientação, especialmente porque a avaliação de problemas e tratamentos em um animal só pode ser diagnosticada com precisão pessoalmente por um veterinário qualificado”, destaca o relatório. Além disso, entre os entrevistados que afirmaram ter presenciado conteúdos de crueldade animal online, 13% acreditam que o material foi gerado por inteligência artificial. “Bomba-relógio” para o bem-estar animal Em entrevista ao portal Veterinária Atual, Gemma Hope, diretora-assistente da RSPCA, classifica o avanço da IA como uma mudança de paradigma, inclusive para o bem-estar animal. Segundo a especialista, o principal problema é que essas ferramentas utilizam modelos de linguagem para interpretar sintomas físicos ou comportamentais, o que não é suficiente para diagnosticar e tratar com precisão possíveis doenças. “Isso pode ser uma bomba-relógio involuntária para o bem-estar animal”, afirma. A entidade reforça que algoritmos não substituem o exame clínico presencial porque operam com base em probabilidades e nas informações fornecidas pelo usuário, sem considerar aspectos que são analisados em uma avaliação profissional. O uso da IA como ferramenta de diagnóstico pode agravar o quadro clínico do animal e atrasar a intervenção adequada, alerta a RSPCA. Veterinário deve seguir como principal referência A organização reforça que nenhuma ferramenta digital deve substituir o acompanhamento veterinário. Em casos de dúvidas sobre a saúde ou mudanças de comportamento dos animais, a recomendação é buscar avaliação profissional. “Por mais avançada que a IA pareça, se houver qualquer dúvida sobre a saúde do animal ou mudanças rápidas em seu comportamento, é fundamental procurar um médico-veterinário”, orienta Hope.
Panorama Pet Vet
Publicado por
Panorama Pet Vet
O PawsBy não se responsabiliza pelo conteúdo desta publicação — o autor identificado é o único responsável por ele.